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Em meio à escalada de tensão, chavistas e opositores saem às ruas na Venezuela


Na Avenida Bolívar, onde o ex-presidente Hugo Chávez costumava reunir seus simpatizantes, Maduro discursou durante uma marcha que ele mesmo convocou “pela paz e contra o facismo”. A manifestação foi uma demonstração de força em resposta aos protestos estudantis, que se intensificaram após a morte de três pessoas e a prisão de dezenas nesta quarta-feira, durante uma marcha contra o governo. “Vocês querem as ruas? Pois lhes daremos as ruas. Querem o povo na rua? Então chegou a hora da rua outra vez. Não vou renunciar nenhum milímetro do poder que o povo da Venezuela me deu”, disse Maduro, durante um discurso transmitido em cadeia nacional de rádio e TV. “Trata-se de derrotar uma corrente fascista que quer acabar com a pátria.” Ele disse ainda que se a direita venezuelana tentar dar um golpe, seu governo estaria "decidido a tudo". "Radicalizaríamos a revolução muito além dos limites já conhecidos", afirmou Maduro, logo depois da manifestação, durante reunião na sede do governo. Maduro também acusou o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe de apoiar a direita venezuelana a planejar um golpe. Do outro lado da capital venezuelana, os protestos contra o governo continuaram, com muitos pedindo a libertação dos estudantes presos durante as marchas dos últimos dias. No início da noite, após algumas horas de manifestação pacífica, estudantes e forças do governo entraram em choque, com policiais disparando balas de borracha e bombas de gás.

Disputa política
As manifestações deste sábado são como uma reedição da disputa política nas ruas - que marcou a história da gestão chavista – e que subiram de tom nesta semana, quando ex-prefeito do municipio de Chacao Leopoldo López (que é presidente do partido de direita Voluntad Popular) convocou uma manifestação cujo horizonte é levar à renúncia do presidente venezuelano. Ele argumenta que os venezuelanos não podem esperar até 2019 - fim do mandato de Maduro - para corrigir os problemas do país. Seu chamado à mobilização "até que Maduro renuncie" é interpretado pelo governo como uma tentativa de golpe. Novos protestos da oposição estão convocados para o domingo. Paradoxalmente, desde a quinta-feira, as barricadas e fechamento de rodovias ocorrem no município de Chacao, bastião da oposição. O governo afirma que há uma ordem de captura para prender a Leopoldo López, acusado de ser responsável pela onda de violência desta semana. Uma eventual prisão do líder opositor pode inflamar ainda mais as manifestações anti-chavistas.

Violência
Tanto chavistas como opositores vivem uma crescente insatisfação diante da alta criminalidade e da crise econômica que predomina no país. Ainda assim, chamados para protestos mais violentos por parte do setor radical da oposição não vêm tendo muita adesão. "Maduro não tem um cheque em branco nas mãos e sabe disso. Ele tem que corrigir os problemas que estamos enfrentando, mas a saída não é a violência ", afirmou à BBC Brasil a contadora Maritza Gutierrez, uma das milhares de manifestantes que participaram do protesto convocado pelo governo. "Estou aqui defendendo a Constituição e a paz. Essa é a regra e todos temos que cumprir, gostem ou não", acrescentou Gutierrez, que vestia uma camiseta com a foto de Chávez. A enfermeira Martina Marcano relatou à BBC Brasil estar irritada com as filas nos supermercados e com a escassez de produtos, mas disse temar uma saída "violenta" à crise. "Queremos solução para os problemas. Este senhor (Maduro) tem que dar respostas, mas não quero ver esses meninos se matando na rua, não queremos uma guerra civil. Que cada quem espere seu turno para governar", afirmou Marcano, depois de esperar uma hora na fila de um supermercado para comprar papel higiênico.

Moderados x radicais
O que está em debate entre as correntes moderada e radical da oposição é o método com o qual devem se contrapor ao chavismo. Os primeiros acreditam que é preciso protestar para promover mudanças no Executivo, admitindo que foram derrotados nas urnas. Já os radicais, protestam para mudar o governo de Maduro, não somente suas políticas. "Não existe possibilidade de que o governo mude, precisamos de uma mudança de governo", afirmou à BBC Brasil José Atacho, recém-formado em administração. Nas ruas desde a quarta-feira, Atacho acompanhava a concentração de estudantes neste sábado. O jovem disse não se importar se o caminho para "derrubar o governo" será constitucional ou não. "Se ele (Maduro) renunciar, seria melhor para todos, para evitar mais problemas, mas se não for assim, que caia como tenha que cair", acrescentou. Representante da classe média, o chamado de Atacho e de seus colegas não convence a maioria da população, na avaliação do analista político Luis Vicente León , diretor da consultoria Datanalisis e.crítico ao governo. A seu ver, uma boa parte dos simpatizantes do governo está convencida de que realmente há uma "guerra econômica" empreendida pelo setor privado para desestabilizar a atual gestão e esse elemento sustentaria, por enquanto, o apoio ao Executivo diante da crise. Para ele, a demanda dos estudantes somada à crise econômica são terreno fértil para protestos e para catapultar desejos de líderes políticos. No entanto, a seu ver, apesar da insatisfação que a crise origina, não significa que Maduro esteja na "corda bamba".

Escassez
Os protestos ocorrem também num momento em que o governo aperta ainda mais as regras da economia para o setor empresarial. Numa tentativa de controlar a crescente inflação, Maduro firmou um decreto-lei "de preços justos", limitando o lucro do empresário local a 30% sobre o valor da mercadoria. Coincidentemente, a escassez aumentou depois desta medida, alcançando 28% dos produtos básicos de acordo com o Banco Central da Venezuela. "No hay” (não tem) tem sido a resposta da maioria dos vendedores quando a pergunta se refere a leite, óleo, papel higiênico, produtos de limpeza e higiene. A ausência de produtos básicos industrializados nas prateleiras é similar ao início da crise política originada pelo golpe de 2002 e em seguida pelo locaute patronal em 2003. O clima na capital durante toda a semana foi de tensa calma e de compras nervosas para estocar os alimentos que estão disponíveis.
Por: Claudia Jardim - BBC Brasil
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